Crónica 7 - Ali Farka Touré

Com o termómetro novamente a subir, a viagem é feita sob paisagens africanas, com paragem obrigatória no Mali -país de origem do artista hoje em destaque. Falo de Ali Farka Touré -este grande senhor do blues maliano, que pôs a sua pequena região de Niafunké no vocabulário da World Music. Ali Farka Touré marcará a sua presença, pela primeira vez em Portugal, a 22 Julho no Auditório Keil do Amaral, em Monsanto, no âmbito de um Festival de Música Africana.

Discografia:
1.Ali Farka Touré (1987, World Circuit)
2.The River (1990, World Circuit)
3. The Source (1991, World Circuit)
4. Talking Timbuktu - Ali Farka Touré with Ry Cooder (1993, World Circuit)
5. Radio Mali (1996, World Circuit)
6. Niafunké (1999, World Circuit)
7. Red & Green (2004, World Circuit)

Alinhamento:
1. La Drogue (Red&Green)
2. Mahimi me (The Source)
3. Radio Mali (Radio Mali)
4. Allah Uya (Niafunké)

Crónica:

Ali Farka Touré nasceu em Kanau, na região do Niafunké em 1939. A sua ligação com a música surgiu em 1960, quando começou a tocar njurkel- uma espécie de guitarra com apenas uma corda. Autodidacta, Ali adaptava músicas tradicionais usando as técnicas aprendidas com a njurkel, o que se tornou a chave para o seu sucesso. Uma outra inspiração veio do blues americano, quando um amigo lhe deu a conhecer John Lee Hooker.
Na jovem-adultez, Ali trabalhava na Radio Mali e simultâneamente era membro da Orchestra De La Diffusion até 1973 altura em que a orquestra se desfez por ordem do Governo. A partir daí ficou cada vez mais desiludido com a ideia de ter um grupo e em 1974 tomou em consciência a decisão de seguir uma carreira a solo..

Image hosted by Photobucket.com




Em 1968 fez a sua primeira aparição na Europa, desta feita, na Bulgária, seguindo-se Paris 10 anos depois. No entanto, nunca mostrou interesse numa carreira musical na Europa, preferindo sempre a segurança da sua pequena vila. Este cenário viria a alterar-se quando em 1987 aceitou tocar no Festival Crossong the Border em Londres. Nick Gold da World Circuit gravou o seu concerto nesse mesmo Festival e levou Ali Farka a um estúdio.Aí gravaram parte do que viria as ser o primeiro álbum. Duas faixas foram adicionadas para uma sessão completa no Charlie Gillet´s Radio Show , ficando o albúm completo. Em 1990, "The River" consolidou a sua posição na World Music. Nesse mesmo ano, Ali informa que se retiraria da música para se concentrar no seu trabalho enquanto agricultor e "presidente" da pequena vila. No entanto, não se conseguiu afastar por muito tempo, "The Source" sairía como sendo um dos albúns mais sublimes que conta com a participação de outros ilustres, tais como Taj Mahal e Nitin Sawhney. Em 1993 saía "Talking Timbuktu" com Ry Cooder, albúm gravado em 3 dias durante a sua digressão pela USA. O albúm acabaria por ganhar um Grammy Award em 1995. "Radio Mali" reúne algumas das mais finas performances acústicas, tiradas de várias horas passadas na Rádio Mali.

Apesar do sucesso estrondoso de "Talking Timbuktu", Ali Farka estava cada vez mais a sentir-se com falta de inspiração e saudoso da sua pequena vila. Foi então que Nick Gold, inspirado no ditado popular " se Maomé não vai à Montanha, vai a Montanha a Maomé", decide levar um estúdio para Niafunké, juntamente com potentes geradores (pois ainda que nos pareça estranho, não havia electricidade). O resultado foi "Niafunké" - bastante diferente dos seus antecessores, este tinha o poder e a intensidade que Ali tinha dificuldade em encontrar noutro sítio.

Ali mantém-se relutante em fazer da música a sua vida pois como diz "a música é muito importante para mim, mas a minha profissão é de agricultor". Ali Farka Touré continua a promover artistas malianos como foi o caso de Afel Bocoum e Oumou Sangaré e actualmente espera-se a saída de "In the Heart of the Moon" albúm produzido em conjunto com Toumani Diabaté.